Pular para o conteúdo

Inovação: Ele é mais eficiente

Inovação: Ele é mais eficiente

Com menos componentes, mais durável e um motor que não polui, o carro elétrico só perde para os modelos a combustão na autonomia e no processo de reabastecimento

É difícil dizer como será o futuro da mobilidade das pessoas no futuro, mas dá para afirmar, sem medo, que ele passa pela propulsão elétrica. Ou seja, é bem provável que encontremos, na mesma concessionária, veículos com motor a combustão sendo vendidos ao lado de outros que funcionam somente com eletricidade. Por isso, vamos conhecer um pouco mais sobre o modelo que pode ser seu, um dia. Quais as diferenças entre ele e o carro tradicional? Para isso, contamos com a ajuda de Alexandre Costa, consultor da Alpha Consultoria Automotiva e nosso colunista.
Para começar, vale dizer que uma das principais mudanças que o proprietário de um veículo 100% elétrico deve sentir é em relação à periodicidade das visitas à oficina e o custo de manutenção. Para se ter ideia, o Bolt EV, modelo trazido pela Chevrolet desde o último trimestre do ano passado para o Brasil, a primeira revisão de fábrica acontece aos 240 mil km. Enquanto isso, muitos motores a combustão, dependendo dos cuidados que o proprietário tem com o carro, precisam de uma retífica aos 100 mil km – um serviço que custa alguns milhares de reais.
“Os 100% elétricos têm uma estrutura que elimina sistemas de lubrificação, de exaustão e de alimentação de combustível, além de componentes como correia de acionamento, alternador, bomba d´água e motor de partida”, afirma Alexandre. Isso acontece porque a propulsão acontece de forma bem mais simples: a eletricidade faz criar um campo magnético que gira um rotor e seu movimento é transferido para a roda do carro. O funcionamento é tão simples que é possível, por exemplo, colocar um motor elétrico em cada roda. Bem diferente do motor a combustão, cuja força é transferida mecanicamente para os quatro pneus em um processo que perde muita energia em forma de calor.
Alexandre explica que “o sistema de tração é basicamente o motor elétrico ligado ao eixo”. No carro elétrico não existe, por exemplo, caixa de marcha (um dos componentes mais complexos e difíceis de manter, quando dá problema, do carro a combustão) ou sistema de redução. Com a ausência do desgaste causado pela operação de componentes mecânicos, a expectativa de vida útil de um motor elétrico é 500 mil a 1 milhão de quilômetros.
Dada a simplicidade do seu sistema de propulsão, pode-se dizer que o carro elétrico só tem vantagens em relação aos modelos a combustão? A resposta não é tão simples. O grande desafio dessa nova tecnologia está na armazenagem da energia. O carro elétrico precisa de baterias potentes que lhe dêem autonomia e carreguem em pouco tempo. Isso ainda está longe de acontecer.
O máximo que algumas montadoras conseguem oferecer com seus modelos é, por exemplo, uma bateria que com carga de 20 minutos dá capacidade para rodar algo entre 100 e 200 km. É ótimo para quem usa o carro somente na cidade, mas praticamente impossível para fazer uma viagem longa.
Outro detalhe importante é a questão ambiental. As baterias recarregáveis dos automóveis usam lítio como principal componente. Ele é um mineral extraído da terra e, portanto, um recurso finito. E a mineração, vamos combinar, não é uma atividade ecologicamente limpa. Sobre essa questão, Alexandre lembra que as tecnologias ligadas à bateria que faz movimentar o motor, de alta tensão (carros elétricos também podem ter uma bateria comum para componentes tradicionais como luzes e sistema de som. Ela é alimentada por um componente chamado inversor) está evoluindo bastante.
As baterias recarregáveis, explica ele, contam com um recurso chamado Sistema de Gerenciamento de Bateria (BMS, do nome em inglês Battery Management System). Ele procura otimizar ao máximo o recurso, monitorando sistemas que podem estar gastando muita energia, controlando a temperatura e sugerindo modos de condução que aumentem a autonomia, dentre várias outras funções. Mas isso ainda não é suficiente para garantir a versatilidade de um carro a combustão.
Enquanto o desafio das baterias não é superado e os 100% elétricos não tomam as ruas de vez, Alexandre acredita que o futuro próximo será dos híbridos, que combinam os dois tipos de propulsão. Nesse caso, há modelos capazes de rodar até 100 km dentro da cidade apenas com o motor elétrico. E se o motorista for fazer uma viagem, entra em funcionamento o motor a combustão.
“Mas daqui para a frente, todos os carros terão algum nível de eletrificação”, diz o consultor. Para ele, o mais importante é que toda a indústria, seja a de montadoras ou a de autopeças, invista em tecnologias que resolvam o atual dilema do mercado, especialmente nos países desenvolvidos, que é se locomover com o máximo de eficiência e mínimo de custo e de emissão de poluentes. “Acredito que, com a evolução do mercado, daqui a 50 anos teremos uma frota 100% elétrica”, conclui Alexandre.