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Scania aposta no gás e traz produção para o Brasil

Scania aposta no gás e traz produção para o Brasil

Modelos começam custando até 30% a mais que os similares a diesel, mas empresa afirma que os benefícios compensam o investimento inicial

Como parte do objetivo de investir na mudança para um sistema de transporte mais sustentável, a Scania Latin America iniciou a produção de caminhões movidos a gás, GNV (Gás Natural Veicular) e GNL (Gás Natural Liquefeito), em sua fábrica em São Bernardo do Campo (SP). “Estamos no Brasil há 63 anos, aqui temos a segunda maior operação industrial fora da Suécia, contando com quase 4 mil colaboradores, e um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento que nos permite oferecer ao mercado continuar avançando na jornada da sustentabilidade”, diz Christopher Podgorski, presidente e CEO da montadora.
A chegada dos caminhões a gás está incluída no plano da empresa de um investimento de R$ 2,6 bilhões no período de 2016 a 2020. “A industrialização dos veículos a gás complementa a Nova Geração de Caminhões Scania lançada em 2018, disponibilizada ao mercado com base no Sistema de Produção Global Scania”, pontua Podgorski.1
Outro R$ 1,4 bilhão será investido no período compreendido entre 2021 a 2024. De acordo com a Scania, esse novo montante permitirá avançar ainda mais em tecnologias ligadas a combustíveis alternativos e à descarbonização do setor de transporte e logística. Segundo Podgorski, o gás é uma grande oportunidade devido à quantidade disponível no Brasil, além de ser um passo importante na busca por um transporte mais sustentável até chegar aos veículos híbridos, elétricos e autônomos.
A produção de caminhões a gás segue os preceitos do Sistema Modular Scania, que permite a fabricação de diferentes modelos a partir de um número limitado de componentes de acordo com a aplicação do veículo. No caso dos modelos a gás, a diferença entres os que rodam com GNV e GNL está na instalação dos tanques, que são específicos para o armazenamento conforme o estado físico do combustível: líquido por resfriamento (GNL) ou gasoso por pressurização (GNV).
Inicialmente foram colocados três modelos com a opção: P280, G340 e R410 nas versões 4×2 e 6×2. “Com o aumento do volume a partir das entregas, outros serão gradativamente homologadas”, informa Silvio Munhoz, diretor comercial da Scania no Brasil. Segundo ele, os motores dos modelos são funcionam com 100% de gás (seja na forma gasosa ou líquida), biometano (gás que pode ser produzido a partir de dejetos como lodo sanitário e resíduos de diversas culturas agrícolas).
O desempenho é semelhante ao do caminhão a diesel, mas têm a vantagem de emitir 20% a menos de ruído. A autonomia fica entre 400 e 500 km. Em relação aos preços, os caminhões são, em média 30% mais caros que os similares a diesel. “Mas este investimento será recuperado com os benefícios do produto”, garante Sílvio.
A montadora não informou a expectativa do percentual de vendas dos caminhões a gás em relação ao total alegando que “por uma estratégia corporativa, não divulga volumes futuros”, mas Sílvio ressalta que a Scania “tem certeza do potencial do mercado para adquirir os veículos a gás. Prova disso é o investimento feito na fábrica”. Agora, estão sendo feitas demonstrações dos modelos em eventos por todo o Brasil, para mostrar aos consumidores as principais características técnicas e as possíveis vantagens em relação aos caminhões tradicionais.
O executivo destaca que a dependência do diesel é um tema cada dia mais difícil de ser defendido, do ponto de vista da sustentabilidade, considerando que emissões de caminhões e ônibus contribuem para o aumento da poluição global, além de elevar o nível de contaminantes como material particulado e óxidos de enxofre, entre outros gases. “A Scania sabe que faz parte deste problema e trabalha para ser parte da solução na busca por alternativas viáveis ao diesel”, conclui o executivo.
A unidade de São Bernardo do Campo também será responsável por conduzir o desenvolvimento global dos veículos a gás. “A área de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) irá liderar os futuros desenvolvimentos dessa tecnologia no grupo Scania”, confirma Podgorski. A equipe de P&D no Brasil conta com mais de 270 engenheiros que atuam em sinergia com a matriz na Suécia. “Esta decisão foi tomada dada a vocação do Brasil para o gás e a confiança no ‘choque de energia’ de baixo custo que vem sendo mencionado pelo Governo Federal como alavancador de desenvolvimento econômico”, completa o executivo.
Segundo a Scania, a utilização de GNV ou GNL reduz em até 15% o nível de emissão de Dióxido de Carbono (CO2). No caso do biometano, gás obtido a partir de resíduos orgânicos, a redução pode chegar a até 90%. A empresa acredita na expansão desse mercado. “Segundo números da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estatal vinculada ao Ministério de Minas e Energia, até 2030, o Brasil deve quase triplicar a produção líquida de gás natural, saindo dos atuais 59 milhões para 147 milhões de metros cúbicos (m³) por dia”, diz a montadora através de sua assessoria de imprensa.
Segunda maior fábrica dentro do Grupo Scania em capacidade produtiva em todo o mundo, a planta de São Bernardo do Campo tem capacidade para fabricar 30 mil unidades ao ano. Em 2019, a Scania Latin America exportou 40% de sua produção, vendendo o restante para o mercado interno, cenário que mudou em relação aos outros anos, quando a empresa exportava cerca de 70% da produção. Ainda no ano passado, a Scania vendeu 12,7 mil caminhões pesados, alta de 57,8% em relação a 2018, um aumento de cerca de 9,1% em relação ao mercado, que cresceu 48,7%.