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Componente: o esqueleto do carro

Componente: o esqueleto do carro

Veja informações sobre a carroceria, componente que está diretamente relacionado com a segurança e o conforto dos veículos

O que lhe vem à cabeça quando ouve a palavra “carroceria”? Palavras como “carroça” ou “carroceiro”, que passam a ideia de coisa antiga ou defasada? Se for isso, reveja seus conceitos, porque o termo, no segmento automotivo, tem mais relação é com muita tecnologia. Mas para entender esse contexto, antes é preciso explicar o que é carroceria de um veículo: trata-se da parte metálica que compõe a sua principal estrutura. É nela que componentes como eixos, motor e suspensão são fixados.
Basicamente, os veículos têm dois tipos de carrocerias: as chamadas de monobloco e as que são acopladas um chassi. A diferença entre elas é que a carroceria monobloco, como o próprio nome diz, é uma estrutura inteiriça na qual o piso e o teto fazem parte de um mesmo conjunto, ligado por colunas. Já na que tem chassi, a parte de baixo, onde fica o piso, é separada da superior.
Carros de passeio antigo tinham essa composição, separando chassi e carroceria. O Fusca é um deles. Mas hoje, apenas veículos grandes como ônibus e caminhões adotam essa configuração. Um detalhe curioso é que os chassis podem ser fabricados por uma empresa e a carroceria por outra. Se você entrar no site da Mercedes-Benz Ônibus, por exemplo, vai ver a montadora expondo apenas os seus chassis, nos quais já estão motor, eixos e suspensão.
Entendido o que é carroceria, é hora de falar da tecnologia usada em sua fabricação. Como é um dos componentes mais relacionados com a segurança, ela é montada seguindo vários critérios que vão definir sua integridade e a forma como vai se deformar, no caso de uma batida. O primeiro fator é o tipo de solda. Existe, por exemplo, a solda a laser, que permite mais precisão e resistência da união de partes metálicas. Outro recurso tecnológico é o uso de robôs, que permitem efetuar soldagens mais precisas, rápidas e em pontos que soldadores humanos teriam dificuldade de alcançar.
A tecnologia nas carrocerias também se faz presente nas chamadas zonas de deformação. Trata-se de áreas com capacidade de cederem mais facilmente aos impactos de acidentes. Isso permite diminuir o risco de que os componentes metálicos invadam o espaço interior do veículo, onde estão o motorista e os passageiros. Em cada projeto de veículo, a montadora define que tipo de metal vai usar na carroceria e onde vai colocá-lo.
Outro componente importante definido pela tecnologia é a rigidez à torção. Ela precisa existir porque, embora quem anda no carro não perceba, sua carroceria é constantemente forçada a “se entortar”, seja por um buraco, uma curva fechada ou até pela distribuição de peso no habitáculo e no bagageiro. As carrocerias atuais, portanto, são projetadas e testadas para torcer o mínimo possível. Além de garantir a segurança, isso tem relação direta com o conforto, já que veículos mais rígidos fazem menos barulho quando andam.
Uma informação curiosa sobre torção de carrocerias é que, nos carros conversíveis, ela se torna um especial desafio. Isso acontece porque o teto e as colunas laterais ajudam a manter a rigidez do carro. Sem eles, a proteção precisa vir de reforços nas laterais e no piso. Esse é um dos motivos, inclusive, que explica o preço mais elevado dos conversíveis em relação às versões com a carroceria completa.
Dito tudo isso, é preciso salientar que os veículos formam um conjunto bastante integrado no qual os componentes dependem uns dos outros. No caso da carroceria, a sua manutenção em bom estado precisa de uma suspensão bem cuidada, de pneus adequados e de um modo de condução que considere o fato de que ela não é indestrutível. Em relação a este último aspecto, uma atitude aparentemente inofensiva como passar uma lombada na diagonal, por exemplo, força desnecessariamente a carroceria. Além disso, rebaixar a suspensão faz com que o carro fique mais exposto às forças que vêm do impacto com o solo e isso afeta as suas estruturas metálicas.
Por fim, sempre é bom lembrar que embora existam alguns poucos (e caros) veículos com carroceria de alumínio ou de fibra de carbono, materiais resistentes e que não enferrujam, a esmagadora maioria dos veículos (muito provavelmente o seu), tem estruturas compostas por aço. Por isso, para proteger o material da corrosão, sempre é bom lembrar de lavar periodicamente o veículo – incluindo a parte de baixo.