Pular para o conteúdo

Carros veganos: totalmente sintéticos

Carros veganos: totalmente sintéticos

Iniciada com a norte-americana Tesla, a preocupação com veículos sem qualquer componente de origem animal começa, aos poucos, a mobilizar outras montadoras

Você sabe o que é “vegano”? Para quem já conhece o termo “vegetariano”, a diferença é que este último se refere ao ato de evitar o consumo de carne. Já os veganos evitam qualquer produto (não só alimentos) que envolva origem animal. Dito isso, existe uma tendência, ainda incipiente no mercado mundial, mas que promete crescer bastante nos próximos anos, de consumo de carros veganos.
Sim, por mais inusitada que possa parecer e relação entre automóveis e animais, existem componentes deles que são produzidos a partir de tecidos orgânicos – logo, não são aceitos pelos consumidores veganos, que geralmente são pessoas com razoável poder aquisitivo e, por isso, recebem atenção das montadoras.
O mais óbvio deles é o couro que reveste os bancos. O material é obtido na pecuária, atividade que tem sido bastante pressionada em todo o mundo pelo seu modo, considerado cruel, de explorar os animais para obter todos os seus sub-produtos. Associado ao luxo e presente nas linhas mais sofisticadas de veículos, o couro animal dos bancos tem sido substituído pelo sintético em modelos mais caros e exclusivos de algumas montadoras.
O curioso é que há outros produtos de origem animal em componentes dos veículos que os consumidores menos atentos jamais desconfiariam. Um deles é o ácido esteárico. Trata-se de um produto obtido de gordura animal que funciona como um colágeno. Ele faz parte da composição química dos pneus, para ajudar na conservação da forma e da elasticidade destes componentes. Se os carros tiverem o selo vegano, a montadora irá obter o ácido esteárico da gordura vegetal, que também pode ser usada como fonte do material.
Outro possível produto que pode vir de alguma atividade que explora economicamente os animais é o biodiesel. Embora não seja muito provável encontrar este combustível fabricado a partir de óleo que não seja de origem vegetal, é uma possibilidade. Por isso, em países com economias mais desenvolvidas e consumidores cada vez mais exigentes, a busca por veículos elétricos tem sido uma preocupação das montadoras.
Uma das empresas que mais tem investido nesse tipo de apelo é a norte-americana Tesla. Produtora de carros que só funcionam com eletricidade, a montadora desde 2016 já divulgava que seu Model X saía da linha de produção com o cuidado de não ter qualquer componente de origem animal.
Mais recentemente, a montadora Volvo, da Suécia, anunciou que o modelo Polestar 2, a ser lançado em 2020, será com motor híbrido e completamente vegano em relação aos componentes. Produzido na China, o veículo tem preço sugerido previsto em torno de 60 mil dólares (aproximadamente 300 mil reais no Brasil, sem impostos).
Outra montadora que pretende concorrer com a pioneira Tesla é a alemã Audi. Seu modelo e-tron GT, totalmente elétrico, deverá começar a ser fabricado também em 2020 e traz uma curiosidade em seu interior. Além de não ter nada de couro animal, boa parte da matéria-prima utilizada veio de redes de pesca recicladas. A Audi não informou a expectativa de preço para o seu futuro carro vegano.
Um dado interessante sobre a preocupação dos veganos é que combustíveis fósseis como gasolina e diesel fabricado do petróleo não entram no rol dos produtos que eles evitam consumir. A explicação para isso é simples: embora sejam de origem animal, ambos os combustíveis vêm de um material resultante de decomposição de compostos orgânicos de seres vivos que morreram há milhões de anos. Não se trata, portanto, de um processo de produção que envolva qualquer tipo de exploração ou sofrimento de animais.