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Carro dos sonhos: Uma máquina para pouquíssimos

Carro dos sonhos: Uma máquina para pouquíssimos

O Bugatti La Voiture Noire nasceu para ser exclusivo com uma estrutura em fibra de carbono, componentes feitos à mão e um motor de 1.500 cavalos de potência

Geralmente quando ouvimos alguém falar em “preço simbólico”, pensamos em algo cujo valor é irrisório. Mas no caso do Bugatti La Voiture Noire, a expressão ganha outra conotação. Carro “mais caro do mundo” como admite a sua fabricante, ele custa nada menos que 11 milhões de euros. E aí está o grande simbolismo da coisa: o preço remete imediatamente aos 110 anos de existência que a Bugatti comemora em 2019.
Fazendo um cálculo otimista com o valor do nosso real, o La Voiture Noire sairia, sem considerar os absurdos impostos de importação brasileiros, por algo em torno de 50 milhões de reais. É muito para um carro? Para a esmagadora maioria de nós, com certeza. Para excêntricos milionários apaixonados pelo automobilismo, talvez o investimento em algo tão exclusivo seja atraente.
De acordo com a fábrica, o veículo é uma homenagem ao lendário Bugatti Type 57 SC Atlantic, carro da marca que se destacou pelo design único e que virou uma peça de colecionadores arrematada a valores altíssimos – na casa dos milhões de dólares – porque teve só quatro unidades produzidas. “Com o La Voiture Noire, a marca francesa de veículos de luxo mostrou mais uma vez que produz os mais preciosos e exclusivos carros esportivos do mundo”, afirma a Bugatti, sem nenhuma modéstia.
O esportivo de duas portas tem carroceria esculpida em fibra de carbono preta que impressiona pela imponência e a harmonia. Segundo a fábrica, o nome La Voiture Noire também tem sua carga de simbolismo. Jean, o filho de Ettore Bugatti, fundador da montadora, desenvolveu e dirigiu um dos quatro coupés Type 57 SC Atlantic que foram produzidos. Ele batizou o seu modelo de “La Voiture Noire”, que em francês significa “carro preto”.
O veículo, informa a Bugatti, desapareceu sem deixar vestígios antes da Segunda Guerra Mundial. “Hoje ele é considerado um dos grandes mistérios da história do automóvel e seria incrivelmente valioso”, diz a montadora. “Para a Bugatti, o La Voiture Noire é mais do que apenas uma reminiscência do Atlantic. Estamos prestando homenagem a uma longa tradição, à França e ao trabalho criativo de Jean Bugatti”, diz Stephan Winkelmann, presidente da empresa.
Uma análise apurada mostra como o Type 57 SC Atlantic realmente inspirou o modelo. Com a sua extremidade dianteira estendida, o La Voiture Noire cria uma impressão alongada com a cintura elegante definindo seus contornos. Os para-choques são suavemente integrados ao corpo e o para-brisa parece fluir para as janelas laterais, como a viseira de um capacete.
A superfície do modelo parece uma peça única e não há nada que perturbe o fluxo da visão – as linhas são fluidas como as do veículo usado como inspiração. “Todos os componentes foram feitos à mão e o corpo de fibra de carbono tem um brilho preto profundo interrompido apenas pela estrutura de fibra ultrafina”, diz o designer da Bugatti, Etienne Salomé.
O modelo tem um motor de 16 cilindros e 8 litros com nada menos que 1.500 cavalos de potência. O torque também é impressionante: 163 kgf.m. Para processar todos os gases, ele tem seis saídas de escape na parte traseira. “Este não é apenas um motor, mas o coração do veículo e uma obra-prima técnica. Não há outro carro no mundo com esse motor”, afirma Stephan Winkelmann.
Em relação ao consumo, não se poderia esperar outra coisa de uma máquina como essa. O La Voiture Noir roda pouco menos de 3 km com um litro de combustível em trechos urbanos e alcança 6,5 km por litro na estrada.